Os brasileiros levaram outra rasteira na semana passada. Na manhã da última quinta-feira (7), o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O processo se deu em uma sessão a portas fechadas para evitar que representantes de organizações que representando grupos como mulheres, negros e homossexuais causassem tumulto. A votação já havia sido cancelada uma vez em função do grande volume de manifestações populares contrárias à candidatura de Feliciano sob a alegação de que um sujeito acusado de ser racista, misógino, homofóbico e estelionatário não poderia estar a frente de uma comissão cuja função é defender o direito de minorias.
Isso mesmo, vocês entenderam direitinho, apesar de completamente fora de propósito e sem nenhum apoio popular, a candidatura de Feliciano foi aceita. Essa seria mais uma derrota a ser contabilizada pelo já combalido povo do nosso País. Seria, porque apesar de termos perdido uma batalha, não desistimos da guerra. A mobilização contra o presidente recém empossado ganhou força, não apenas entre as minorias que se viram ameaçadas. Pessoas dos mais variados grupos, inclusive evangélicos, para dizer em alto e bom som que não se sentiam representados pelo pastor Marco Feliciano.
O esforço deu resultado. Na tarde desta terça-feira (12), integrantes do PT, do PSOL e do PSB na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados decidiram protocolar pedidos de mandados de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a sessão que elegeu o deputado e pastor como presidente do colegiado e, dessa forma, suspender a escolha de Feliciano.
O episódio é um raio de sol em meio ao céu cheio de nuvens que se tornou a relação dos brasileiros com o poder público. Sem esperanças de sermos ouvidos, sentindo-nos pouco representados e acostumados a engolir sapos políticos um atrás do outro, desta vez vimos o jogo virar a nosso favor. Ok, o sujeito ainda não foi deposto do cargo e ele não passa de um peixe miúdo em meio a um mar de tubarões que habitam o Senado e Câmara há tempos. Mas é bom ter de volta a sensação de que o poder está nas mãos do povo, como em toda Democracia que se preze.
Ainda estamos longe de poder sentir orgulho de boa parte daqueles que, por alguma razão, escolhemos para nos representar na condução deste País. Mas acredito que demos um passo em direção a este dia. Que o episódio sirva como a faísca que reacende a esperança que jamais deveria se apagar dentro de todos nós. Eu escolho acreditar no melhor. Não por ilusão. Mas por ter a certeza de que os bons são maioria.Fonte: yahoo
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