Certa feita, viu-se Jesus diante de uma grande multidão e ficou compadecido, pois pareciam ovelhas sem pastor. Na ocasião, aproximaram-se dele alguns discípulos e disseram: mestre, o lugar é deserto e a hora já muito avançada. Despede-os para que vão a outros lugares e assim comprem comida para si. Jesus lhes respondeu: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Em seguida, tomou os únicos cinco pães e dois peixes ali existentes, abençoou-os, e depois dividiu-os entre a multidão faminta, ficando esta plenamente saciada (cf. Mc 6, 30-44).
Fundada em 1983, por inciativa de ínclito grupo de homens e mulheres de boa vontade, tendo à frente a Dra. Zilda Arns, de saudosa e santa memória, a Pastoral da Criança (vinculada à igreja católica, mas com viés ecumênico), opera em estreita consonância com o apelo lançado aos discípulos pelo divino Mestre, no episódio da multiplicação dos pães, apenas reportado.
A Pastoral da Criança atua em todo território nacional, cobrindo os lugares mais recônditos do país. Batendo de porta em porta e indo de lugarejo em lugarejo, seus valorosos líderes entregam-se de forma quase que diuturna na luta pela defesa da vida, optando-se, preferencialmente, pelas famílias menos favorecidas. Por toda parte, milhares de homens e mulheres, todos embalados pela chama vivificante do Evangelho, têm se unido em verdadeiros mutirões, visando contribuir com a construção de uma sociedade mais fraterna, onde o dom supremo da vida se sobreponha a qualquer outro valor.
Ao celebrar seus 30 anos de história, a Pastoral da Criança ostenta o honroso mérito de haver reduzido de forma considerável os altíssimos índices de desnutrição e mortalidade infantis, que, por décadas a fio, aterrorizaram o Brasil. Lê-se no Guia do Líder: “Muitas crianças morriam de doenças que podiam ser prevenidas, como a desidratação provocada pela diarreia. Nessa época foi lançado um desafio: como a igreja no Brasil poderia ajudar a salvar milhares de crianças da morte?”. Daí nascia a Pastoral da Criança.
A árvore cresceu e deu muitos frutos, fazendo repercutir o milagre da multiplicação e oferecendo a milhares de seres humanos o pão que vivifica e dá dignidade. A exitosa experiência da Pastoral da Criança já ultrapassou as fronteiras do Brasil, encontrando-se hoje em vários outros países, ao redor do mundo. Como aqui, também lá ela tem contribuindo com a preservação da vida e com a promoção do bem-estar, em toda a sua plenitude. Por meio dela, milhares de crianças pobres de outras partes do planeta têm tido a oportunidade de desfrutar do carinho e da atenção necessários ao seu salutar desenvolvimento.
Contando com o apoio e suporte de uma plêiade infindável de voluntários, a Pastoral da Criança tem como lugar de atuação o contexto familiar e comunitário, com todos os seus valores e peculiaridades. O trabalho é feito através de visitas sistemáticas, realizadas junto a cada família, e consiste num conjunto de orientações que vão desde o controle do cartão de vacina da criança, a frequência com que esta é levada ao médico, até as condições higiênicas do ambiente. Atenção especial é dispensada ao crescimento da criança, incluindo seu peso, sua saúde, sua nutrição, sua educação e seu desenvolvimento mental, social e espiritual, fazendo-a, assim, crescer em tamanho, sabedoria e graça.
A Pastoral da Criança é organizada por dioceses, paróquias e setores. Na diocese de Bonfim, ela atua em 25 paróquias e conta com um voluntariado de aproximadamente 700 pessoas, além das coordenações diocesana e paroquiais. Esse quadro de voluntários presta acompanhamento a cerca de oito mil crianças, difundidas por toda a extensão onde há cobertura da Pastoral.
Cabe evocar aqui a palavra sempre vibrante de Zilda Arns, morta em 2010, durante um terremoto na capital do Haiti, onde se encontrava a serviço da Pastoral da Criança: “Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe dos predadores, das ameaças e dos perigos e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.”.
José Gonçalves do Nascimento
jgoncalvesnascimento@hotmail.com
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